VOCÊ SABIA QUE FOI IDENTIFICADA A PRESENÇA DE CAFÉ EM ÁGUA DA TORNEIRA
| (foto: Cassiana C. Montagner) |
Estudo organizado pela INCTAA revela que água potável de cidades brasileiras tem presença de cafeína. Isso indica a presença de esgotos em mananciais e a deficiência do tratamento da água, e alerta ainda para outros compostos indesejados que possivelmente estejam chegando às casas dos brasileiros.
Um grupo de pesquisadores de vários estados brasileiros, coodenado pelo Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA) realiza pesquisa para identificar contaminantes emergentes (substâncias não comuns de acordo com a legislação) a partir da água tratada de algumas cidades brasileiras.
No primeiro ano de análise ,concluída em 2011, foram recolhidas cerca de 50 amostras das torneiras em 15 cidades brasileiras, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Goiânia, Cuiabá, Porto Velho, Palmas, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza, além do Distrito Federal, correspondendo a uma amostra para 500 mil habitantes.
Selecionando 22 substâncias existentes em produtos utilizados em atividades domésticas, industriais e agrícolas, os cientistas descobriram que a cafeína foi encontrada em 92% das 49 amostras com maior concentração média em Porto Alegre com 166 nanogramas por litro de água (ng/L). Em seguida veio a cidade de São Paulo, com 118 ng/L, e, em terceiro, Belo Horizonte, com 32 ng/L. Apenas em Fortaleza a cafeína não pôde ser quantificada segundo parâmetros estatísticos, pois as concentrações eram muito baixas.
Também foram encontradas a atrazina, um herbicida amplamente utilizado no Brasil; o triclosan, um agente biocida presente em vários produtos de higiene pessoal; e a fenolftaleína, muito utilizada em titulações nos laboratórios de química.
Segundo os cientistas, a presença de vestígios de café nas águas das torneiras das residências não implica risco do ponto de vista da saúde pública, mas é um traçador de que outras substâncias não são eliminadas durante o tratamento da água.
Estudos indicam que alguns contaminantes, mesmo em pequena quantidade, podem afetar a vida dos seres humanos indiretamente, pois afetam negativamente uma série de organismos como espécies de peixes, anfíbios e répteis podendo causar diarreia, vômito e cólera. A contaminação química está relacionada a efeitos crônicos, que levam anos para se manifestar, o que dificulta a avaliação dos riscos.
Fonte: Tome + Ciência com informações do Ciência Hoje On-line
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